quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Brasil - Tecnologia da UnB facilita a locomoção de pessoas com deficiência

Técnica permite que alguns músculos paralisados se movam a partir de estímulos provocados por elétrodos fixados na pele Rio de Janeiro – Palco da Paraolimpíadas, que terminou no domingo (18), o Rio de Janeiro conheceu na última semana dos Jogos um projeto de sucesso desenvolvido por brasileiros no campo da tecnologia assistiva, ramo da ciência dedicado às técnicas e inovações que visam a facilitar a locomoção e melhorar a qualidade de vida das pessoas portadoras de necessidades especiais. 

 

Desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB), pela equipe liderada pelo professor Antônio Padilha, a técnica permite que alguns músculos paralisados se movam a partir de estímulos provocados por elétrodos fixados na pele.

 

 Com essa nova tecnologia, pessoas com problemas de locomoção conseguem pedalar uma bicicleta de três rodas especialmente adaptada, conhecida como Trike. 

 

 O projeto brasileiro foi apresentado durante uma série de eventos e debates sobre tecnologia assistiva realizada pelo governo da Suíça na casa de hospitalidade montada pelo país para os Jogos, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. 

 

 Por conta deste trabalho, Padilha foi um dos condutores da tocha paralímpica no Distrito Federal, no último dia 1º.

 

 Ele acendeu a pira no palco montado no Parque da Cidade. “Trabalho com essa temática há muito tempo e creio que foi por isso que me chamaram”, opina. 

 

 "Fiquei muito orgulhoso de poder representar esse espírito", disse o professor. A Estimulação Elétrica Funcional foi desenvolvida no Brasil como parte do projeto Empowering Mobility & Autonomy (EMA), coordenado pelo professor da UnB: 

 

 “O uso de estímulo elétrico para a restauração do movimento foi algo proposto décadas atrás. Apesar de ótimos resultados, a tecnologia ainda tem que provar o seu potencial para pessoas que sofreram lesão medular. O ciclismo, com essa tecnologia, pode ser utilizado para fins recreativos, como a corrida, mas também pode proporcionar benefícios funcionais, como melhora da saúde card iovascular, diminuição do risco de fratura e aumento da força muscular”, diz Padilha. 


A Trike foi desenvolvida em uma parceria entre o Laboratório de Automação e Robótica (Lara),o Núcleo de Tecnologia Assistiva, Acessibilidade e Inovação (NTAAI) e o Centro de Treinamento em Educação Física Especial (Cetefe).

A bicicleta, segundo seus desenvolvedores, contribui para a reabilitação dos membros inferiores e pode proporcionar uma melhora no quadro clínico geral das pessoas portadoras de necessidades especiais, além de proporcionar também lazer e interação.

A casa suíça também apresentou ao público carioca a técnica conhecida como Brain Computer Interface (BCI), que usa estímulos do cérebro para controlar um avatar em um jogo de videogame.

O mecanismo pode tornar pessoas com tetraplegia aptas a controlar diferentes tipos de dispositivos, como computadores, braços robóticos e cadeiras de rodas elétricas, entre outros:

“Esta tecnologia terá um grande uso para pessoas que tiveram a função motora severamente afetada decorrente de paralisia no nível do pescoço, acid ente vascular cerebral, doença neurológica ou outra lesão”, diz Peter Wolf, pesquisador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique.

 Cybathlon Tanto o BCI quanto a Estimulação Elétrica Funcional serão demonstradas durante o Cybathlon, ou Olimpíada Biônica, competição entre cientistas desenvolvedores de novos recursos em tecnologia assistiva que será realizada em Zurique, na Suíça, no dia 8 de outubro:

“O Cybathlon é uma competição inédita e idealizada com o objetivo de facilitar a troca entre o meio acadêmico e a indústria, ampliar a discussão entre desenvolvedores de tecnologia e pessoas com necessidades especiais e promover o uso de ajudas técnicas robóticas para o público”, diz Wolf.

A comissão organizadora do Cybathlon é composta por médicos, especialistas em robótica e especialistas em comunicação. Além da demonstração de novidades em tecnologia assistiva, o evento terá competições nas quais serão testadas novas próteses para braços e pernas e exoesqueletos mecânicos em percursos que incluirão inclinações, escadas e pedras.

Também haverá uma corrida em cadeira de rodas elétri ca, na qual os competidores terão que superar seis obstáculos durante o percurso.

 Quem conduzirá a Trike durante o Cyblathon é Estevão Lopes, que ficou paraplégico após ser vítima de uma bala perdida. Lopes é praticante de vela adaptada, canoagem e halterofilismo, e foi escolhido para representar o Brasil na Suíça após uma série de testes realizados no Cetefe:

 "Desde que comecei a treinar com a Trike, ganhei quase dez centímetros no diâmetro da coxa. A qualidade da minha circulação e o aspecto da pele estão melhores também", diz o ciclista, em declaração publicada no site da UnB.

Qualidade de vida Em Zurique, diz o pesquisador suíço, as competições serão mais do que simplesmente uma disputa para ver quais são os melhores aparelhos e tecnologias desenvolvidos no ramo da tecnologia assistiva.

 Elas servirão, sobretudo, para testar novidades que podem trazer melhoras concretas na qualidade de vida das pessoas portadoras de necessidades especiais:

“Em relação às próteses mecânicas de braço, por exemplo, o Cybathlon vai testar a tecnologia mais sofisticada e de fácil manejo para descobrir qual prótese consegue desempenhar melhor as tarefas do dia a dia”, diz Peter Wolf.

Em relação aos exosqueletos mecânicos, “a procura é pelo modelo mais ágil e confortável, que permita ao usuário controlar facilmente uma grande diversidade de movimentos diários, até subir escadas e andar em terrenos irregulares”, explica o suíço, acrescentando que das cadeiras de rodas elétricas, por sua vez, o que se procura são modelos cada vez mais seguros, confortáveis e de fácil manuseio.

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