quarta-feira, 2 de março de 2016

Portugal - APD: Quem fizer «censos» da população com deficiência deve ter formação adequada

A Associação Portuguesa de Deficientes (APD) defendeu hoje que as pessoas que venham a fazer o levantamento e caracterização das pessoas com deficiência devem ter formação adequada, elogiando a iniciativa do Governo. 

 

O jornal Público adianta, na sua edição de hoje, que a secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência pretende realizar um levantamento do número de pessoas com deficiência em Portugal, bem como procurar fazer a sua caracterização, uma iniciativa que irá contar com o apoio das autarquias locais e das unidades de saúde.


 

Em declarações à agência Lusa, a presidente da Associação Portuguesa de Deficientes elogiou a iniciativa, descrevendo-a como "excelente".

 

 "É uma velha reclamação da APD e já de há muito tempo que nós dizemos que é necessário e era urgente saber exatamente quantas pessoas com deficiência existem em Portugal", sublinhou Ana Sesudo, lembrando que não há qualquer estudo feito até agora para Portugal. 


Nesse sentido, a responsável apontou que enquanto não se tiver noção da realidade das pessoas com deficiência, quantas são, onde estão, que tipo de deficiência ou incapacidade têm, "será sempre difícil desenhar políticas" específicas.

E sem essas políticas específicas, sublinhou Ana Sesudo, Portugal continua a "não cumprir os direitos das pessoas com deficiência".

Relativamente ao facto de os últimos Censos (2011) terem praticamente deixado de fora as questões relativas à deficiência, Ana Sesudo lembra que o argumento tinha que ver com suscetibilidades e com a proteção de dados. "Se houver um cuidado nas questões levantadas, (...) desde que haja cuidado relativamente à informação que é divulgada, penso que não haverá esse tipo de problema e espero que haja um grande avanço", destacando o cruzamento de dados entre autarquias e centros de saúde.

 Por outro lado, alertou para o cuidado necessário em relação a quem irá elaborar o estudo e, principalmente, quem irá abordar as pessoas com deficiência.

"Quem vai fazer a abordagem que tenha a formação devida para fazer as questões e para falar com as pessoas", pediu a responsável.

Por outro lado, apontou como "muito estranho" o número que é conhecido de pessoas com deficiência desempregadas, já que são apenas contabilizadas as que estão inscritas nos centros de emprego.

"É um número que, a meu entender, deve ser muito baixo em relação ao que é a realidade já que é preciso saber quantas não estão inscritas, quantas nunca estiveram, quantas já desistiram por situação de desemprego prolongado", apontou Ana Sesudo. A presidente da APD contou inclusivamente que muitas vezes "o desespero é tal" que há várias pessoas com deficiência que recorrem à associação à procura de emprego.

 Fonte da Notícia: Veja Aqui - Diário Digital com Lusa

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