quarta-feira, 19 de junho de 2013

África O difícil combate à malária

Em África, a malária mata uma criança por minuto, estima a ONU. Nos últimos anos, os países africanos de língua portuguesa têm feito vários avanços no combate à doença. Mas continua a haver obstáculos. Assinala-se esta quinta-feira (25.04) o Dia Mundial de Luta Contra a Malária. O combate à doença nos países africanos de língua portuguesa conhece avanços a várias velocidades.

  Moçambique é um dos países onde o índice da malária ou paludismo ainda é elevado. Os internamentos chegam aos 60 por cento, informa Esperança Sevene, diretora-adjunta para investigação na Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane, que participou esta semana na 2ª Reunião Ordinária das Redes dos Institutos de Saúde Pública Lusófonos, em Lisboa. A malária "ainda constitui um problema", diz a investigadora, apesar de, nos últimos anos as autoridades registarem uma diminuição do número de casos. Esperança Sevene aponta um exemplo a seguir: "No distrito da Manhiça [província de Maputo], onde se fazem estudos de Malária e há um sistema de vigilância, houve uma redução de quase 50% do número de casos." Melhorias na prevenção e tratamento explicam estes resultados, entre outros fatores. Duas medidas implementadas foram o aumento gradual da distribuição de redes mosquiteiras pelo país e o acesso gratuito a novos medicamentos para tratamento da doença transmitida pela picada do mosquito anoféles.

Avanços em Angola


  Nos últimos dez anos, Angola registou uma redução significativa da mortalidade, revela Filomeno Fortes, coordenador do Programa da Malária. "Saímos de uma estimativa de 20 mil óbitos por ano em 2002 e, neste momento, estamos com cerca de quatro mil óbitos por ano [crianças menores de cinco anos]", explica o responsável. "Em termos do número de doentes, temos tido em média três milhões de casos clínicos, mas isso deve-se também às dificuldades de diagnóstico a nível das unidades sanitárias." Deve-se também à sobreposição de outras doenças que se manifestam pela febre, de diagnóstico difícil, comparadas com a malária. O plano estratégico de Angola preconiza a redução do índice da doença ate 2015, em 60 por cento. Para isso, a cobertura das redes mosquiteiras, cuja campanha está já em curso desde janeiro, deverá atingir 80 por cento da população. Entre outras ações, o plano contempla ainda um projeto de controlo das larvas dos mosquitos, apoiado pela cooperação cubana. Diferentes velocidades Na Guiné-Bissau, a incidência da endemia tende a reduzir, enquanto que Cabo Verde aposta na pré-eliminação, registando-se menos de um caso por mil habitantes. A meta é eliminar a doença até 2020. São Tomé e Príncipe é um caso de sucesso, tendo recebido um prémio internacional. O país teve um comportamento muito bom nos últimos dez anos, avalia Juliana Ramos, da direção dos Cuidados de Saúde: "Saímos de 180 óbitos para dois em 100 mil, de 2000 a 2007. No entanto, apesar da distinção, Juliana Ramos avisa que o país tem de estar vigilante e não pode baixar os braços. "Especificamente neste ano de 2013, só no mês de março já tivemos quatro óbitos no Hospital Central. É preocupante", diz.

 Teste de vacina contra a malária no Quénia

 

Proveitos económicos 


 Thomas Teuscher, da Parceria de Combate à Malária, em entrevista à rádio das Nações Unidas, referiu que na última década, foram salvas um milhão e quatrocentas mil vidas no combate à Malária em todo mundo, um avanço significante. Mas Teuscher também alertou que é necessário redobrar os esforços. Segundo o responsável, é preciso mostrar aos governos de cada país que investir no combate à malária pode trazer proveitos económicos. "O esforço de combater a malária é o esforço de melhorar os desempenhos económicos dos países, reduzindo a desigualdade, oferecendo trabalho e melhores condições de vida. Cada dólar investido contra a malária equivale a 40 dólares ganhos em produtividade", disse. "Mas, para universalizar o combate, é necessário o empenho dos governos locais." Crise financeira é obstáculo Porém, será igualmente preciso que o dinheiro dos doadores internacionais continue a entrar nos cofres dos países que precisam de ajuda para garantir que há resultados a longo prazo. Esta semana, em Lisboa, na abertura do Congresso Nacional de Medicina Tropical, o diretor regional para África da Organização Mundial de Saúde disse estar preocupado com o impacto da crise internacional no financiamento de programas de saúde pública no continente, nomeadamente na luta contra doenças como a malária. Apesar dos progressos, Luis Sambo considera que África falhará o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio na área da saúde se escassearem os recursos financeiros.

 Fonte: Veja Aqui

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